Sobre NY e Depeche Mode
Ontem eu experimentei toda uma gama de sentimentos em um curto espaço de tempo. Sabe aqueles dias em que tudo te surpreende? Você acorda achando que sabe o que vai acontecer e não sabe nada? Eu gosto desses dias. Estava com dois ingressos comprados para o show do Depeche Mode no Nissan Pavilion (mais ou menos 1 hora e meia de Washington, contando o trânsito) há mais de um mês. E eles tinham custado caro... Mas como é das minhas bandas preferidas, achei que vê-los ao vivo merecia um lugar privilegiado. Ah,sim. Show aqui, mesmo de rock, é com cadeira marcada. Anteontem meu significant other anunciou estar acometido de gripe, de forma que não iria comigo ao show. Quem o conhece poderá, não sem alguma razão, comentar que a gripe foi uma ótima desculpa pra escapar de ir a um show. Mas o fato é que ele não ia. E eu queria MUITO ir. Amanheci derrotada, pensando em como minizar a perda, tentar vender os ingressos... Chateada. Cabisbaixa. Fui oferecer pro meu chefe, que me disse já ter comprado os dele e, simpaticamente, me convidou para ir junto com ele e a esposa. Pensei na possibilidade, achei muito bacana o convite, mas a possibilidade de ficar sentada sozinha no show ainda não me animava o suficiente. Estava em dúvida. E assim fiquei grande parte do dia. As horas passando, nenhum interessado nos ingressos, eu indecisa. Às cinco e pouco da tarde, disse pro meu chefe que agradecia muito o convite, mas não ia. Deixei até os meus ingressos para ele dar para alguém que estivesse indo comprar lá. Ele comentou que minha cara de triste era tão grande que ele ficava até mal de estar indo. E me deixou o celular, caso eu mudasse de idéia em 15 minutos. Não foi nem que eu mudei de idéia. É que aconteceu uma coincidência que me salvou o show. Meu irmão, que está nos EUA para o níver do Nuno, estava fazendo turismo o dia todo e resolveu me ligar, de orelhão, da estação de metrô aqui perto do prédio pra saber se eu estava indo pra casa. Ele já tinha dito que nem conhecia a banda e eu tinha partido do pressuposto de que ele não ia querer ir. Mas eu subestimei o companheirismo do meu irmão Explicada a situação, ele não só topou ir, como topou ir direto dali, com a roupa do corpo do dia inteiro, e de carona com gente que ele nunca tinha visto antes. Liguei pro meu chefe, que já estava a caminho do show, mas foi fofo o bastante pra voltar e nos pegar. (Já tinham-se passado mais de 15 minutos). E assim fomos. Em um golpe de casualidade (nada estava nem remotamente combinado com o meu irmão), minha vida foi salva, por assim dizer. Garanto que eu ia morrer menos feliz se não tivesse ido a esse show. Foi bom DEMAIS. Durante o show, lembrei muito da minha empolgação de ir ver o New Order em Brasília (teve post sobre isso aqui no Diliça) e de como o Depeche Mode superou aquele show em todos os quesitos. Tudo bem, tudo bem, todos os devidos descontos devem ser dados. Aqui é Estados Unidos, toda a infra ajuda, facilidade da tecnologia, coisa e tal. Mas, na boa, eles exploraram MUITO bem as possibilidades. A cenografia, a iluminação, eram maravilhosos. E não só isso, mas o New Order, para minha decepção, passaram uma impressão de estarem requentando o prato velho, sem tesão, sem criatividade, meio que para ganhar o restinho do dinheiro que podem. Coisa que passou beeeeem longe do Depeche Mode de ontem: eles estavam no auge. O set list misturava músicas dos discos mais novos - que eu conheci, embora não tenha gostado muito - com os sucessos que todo mundo estava louco pra ouvir. Música de dançar, música de ficar quietinho e cantar junto, música pra fazer um pouco de cada e gritar feito louco. Dave Gahan ainda_consideravelmente_gatinho e mandando bem na performance - incluído o rebolado diliça. O melhor sinal de que o pessoal estava mesmo muito bem é que o meu irmão, que nunca tinha ouvido nenhuma música, curtiu e até levantou pra dançar umas três vezes. Para mim, que sou fã desde os 12 anos (lembro de uma conversa com o então namorado de uma prima mais velha, em 1991, sobre "Enjoy the Silence", "Strange Love" e "Just Can`t Get Enough", todas músicas que eu já gostava, mas que ele me explicou serem da mesma banda, cujo nome nunca mais saiu da minha cabeça) foi um dos que mais gostei de ter assistido até hoje. Mesmo. Sem dúvida. Fiquei realmente agradecida aos céus por terem, de alguma maneira, me convencido e me possibilitado estar ali ontem. Ao contrário do New Order, que sempre vai ter um lugar muito especial no meu coração musical, mas não na minha escolha de shows, o Depeche Mode eu ainda vou ver de novo, se tiver chance. PS: Sobre NY, a vinda do meu irmão foi uma ótima ocasião para fazer a primeira viagem a NY morando nos EUA. É um L-U-X-O poder passar o final de semana lá. E foi muito, muito legal re-encontrar 2 dos 39 + cônjuge + filhote + 1 membro honorário (El Pupo). Meu irmão adorou; eu, mais ainda.
Confessado por Bibi-chan às 13h11
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