o que é estar apaixonada

Teve o post das reclamações, mas o que eu queria mesmo era escrever este aqui. Uma coisa me avisaram: que não existe amor maior do que aquele que se sente por um filho. Todas as mães e pais que eu conheço me diziam isso. Eu acreditava. Mas acho, agora que já sou mãe, que nunca é igual, que cada um passa por uma experiência desse amor quando chega a sua vez. Não dá pra prever o que vai acontecer quando vocês tiverem seu(s) filhinho(s). Só é certo que ficarão apaixonados por ele(a)  e saberão que é um sentimento novo, diferente de tudo mais o que já sentiram.

É assim: se a gente for colocar em termos bem práticos, racionais, a gente ama nosso filho porque ele é um pedaço da gente. Isso muita gente já dizia, inclusive o Freud. Tudo bem. Mas o amor romântico também não deixa de ser uma projeção e, sendo assim, em termos práticos, é também narcisismo disfarçado. O fato é que é humano isso de amar o que lembra/parece com a gente mesmo (ou com o que a gente idealiza ser). O que não impede o sentimento de ser muito forte e verdadeiro, real. Afinal, estar apaixonado, caído por alguém é sempre uma experiência intensa - a gente sofre, se desespera. E tudo é de verdade. É pela outra pessoa, embora seja por nós mesmos.

Divagações filosóficas à parte, o que eu queria mesmo dizer é que agora eu sei o que é estar apaixonada. E quero enfatizar que, em termos de intensidade de amor, eu achava que já havia passado pelo que de mais forte poderia haver. É, ao mesmo tempo, agradecer aos céus (eu, que queria tanto ser cética), e quase me sentir culpada de ter gerado uma criatura tão linda, perfeita e saudável. Que, embora não se pareça fisicamente nada comigo (por enquanto, pelo menos), saiu de dentro de mim - eu vi, com meus próprios olhos  É um milagre, gente. Só isso, nada mais.

Ah, sim. Seguindo a linha dos avisos importantes, digo logo que o que a gente sente quando o bebê nasce não tem nada a ver com o que se sente durante a gravidez. Ver o bebê tem um efeito quase mágico. É um choque de realidade. A barriga cresce, mas ainda é a barriga de alguém. A mãe sente o bebê mexendo, mas não tem uma imagem daquele ser, não consegue visualizar (e a imagem para o ser humano é tudo) aquela mexida como um outro humano se movimentando. Não há materialidade no negócio, enfim. Quando você VÊ um bebê novo, um ser humano surgindo, bichão... É coisa de doido. E ser um bebê que veio de você e da pessoa que você ama, então, é até difícil de acreditar de tão bom. Nessa nossa vida besta, sem sentido, corrida, cheia de coisa ruim e coisa pequena pra ser preocupar, a gente acha que é mentira existir algo tão bom.

Sim, ter um filho muda tudo. Eu olho pro meu e penso em coisas que nunca pensava antes. Penso muito mais em Deus. Penso em quando eu vou morrer - eu não achava que ia morrer, isso nem passava pela minha cabeça  Desejo que ele me suceda. Penso que vê-lo, tê-lo em meus braços e me sentir tão feliz já é um bom sentido para essa vida - que eu achava não ter nenhum, o que me angustiava. Penso que deveria ser uma pessoa melhor em muitas coisas - até para ser digna de tanta felicidade. (E pra não dar mal exemplo também). Penso que é maluco que eu já tenha sido exatamente assim, que meus pais fizeram por mim o que a gente está fazendo por ele. E fico agradecida - apesar de saber, agora na pele, que, para os pais, cuidar de um filho não é absolutamente nada de mais. Penso que ele é a pessoa mais linda do mundo. Saio de perto e morro de saudade. Durmo e sonho com ele. Mas com uma intensidade muito maior do que já senti por qualquer outra pessoa. Nunca estive tão apaixonada.

Hoje meu filhinho completa um mês neste mundo. (Não acho correto dizer que é um mês de vida porque ele já estava vivendo há 9 meses, apesar de eu não dar, comparativamente, muita bola pra ele enquanto ele estava do lado de dentro). Foi o mês mais feliz da minha vida. Apesar da apojadura, das lingeries feias, das noites não tão bem dormidas, da episiotomia, de tudo! Tem uma última coisa em que eu penso muito quando estou com ele. É em quantas coisas eu vou aprender só por ele existir: pra cuidar dele, pra tentar ajudá-lo a ser tornar um homem feliz, pra ajudá-lo na escola, pra entender as tecnologias que vão surgir enquanto ele cresce e que eu não conheço, coisas que já conheço e que serei obrigada a rever pelas situações que vou viver com ele... Penso que ele será meu companheiro.

Não sei se vocês notaram, mas o título do meu post pra falar da gravidez ("Como é que nasce um novo coração?") é um trecho de "1o. de julho", uma música que o Renato Russo fez pra Cássia Eller quando ela teve o filho dela. A música termina com os seguintes versos, que resumem exatamente o que eu sinto celebrando um mês dessa nova fase, muito mais feliz, da minha vida e um mês de Terra do meu filhote:

"Vamos descobrir o mundo juntos, baby

Quero aprender com teu pequeno, grande coração

Meu amor", meu Nuninho.



Confessado por Bibi-chan às 21h51
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sobre o "padecer no paraíso"

Atendendo a pedidos, venho contar como vão as coisas no reino das fraldas, chupetas, mantas e sapatinhos de lã  As coisas por aqui vão super bem, graças a Deus. Muito melhor do que eu imaginava que seriam. Mas, antes de passar ao post bonitinho, eu tenho de reclamar. Se não, não seria eu

Tem um monte de coisa sobre o parto e sobre ser mãe que ninguém avisa! Ou, pelo menos, não avisaram pra mim - e olha que eu pedi aviso a muita gente! Então, para que os leitores e leitoras do Diliça! não sejam pegos de surpresa quando forem passar a este lado da vida, aqui vão alguns avisos:

- sim, sim, o parto normal dói muito mesmo. E, sim, assim que o nenê nasce, é um alívio sem igual;

- não, não, você não sai do parto normal "zerada", "pronta pra outra", como me fizeram acreditar. Esqueceram de um detalhe muito importante: normalmente, se você está tendo o primeiro filho, mesmo se você teve parto normal, você sai cortada. E em uma região do corpo BASTANTE - não tenho como frisar o suficiente - incômoda de se estar cortada... Não é um incomodozinho. É horrível!!! (Não tive a experiência da cesárea pra tentar tecer qualquer tipo de comparação. Só acho importante deixar registrado que o parto normal, com episiotomia - o nome desse corte, não é tãããããããão "acabou, passou" como dizem alguns);

- quem teve filho vai dormir em um dia com os seios de um tamanho. No dia seguinte, eles estão de um tamanho 2x, duros, e doendo. DO NADA!!! Isso se chama apojadura. Me falaram o nome. Mas não disseram que era do dia pra noite (normalmente, do 3o. para o 4o. dia pós-parto), que era tão radical e que doía. E que dá medo, pelo amor de Deus!!!;

- não existe lingerie bonita pra pós-parto e amamentação. Existem umas menos feias, que custam muito mais. E, no final das contas, fazem o mesmo efeito afastador de marido. Pelo menos quanto ao efeito anulador de T, já tinham me avisado... ;

- ficar sem dormir pode não ser tão ruim quanto pintam. Tudo depende do bebê. O meu é cooperativo, Deus seja louvado!  Não durmo o que gostaria, que é sempre muito, mas não fico tal qual zumbi durante o dia tampouco;

- os amigos passam a achar que você faz parte de um outro mundo e cortam você dos programas. Em parte, é outro mundo, sim. Mas o que é triste é que a parte que é verdade não impediria você de continuar tendo contato com seus amigos... Eles só teriam de estar dispostos a ir mais à sua casa no começo. E de não se importar em ter um bebê no meio dos programas. GENTE, EU SÓ VIREI MÃE, NÃO ME EXCLUAM! EU AINDA SOU LEGAL  huahuahuahuahuahuahuahuahua



Confessado por Bibi-chan às 15h46
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