Como é que nasce um novo coração???
Demorou, mas aqui vai o post que faz a revelação que todos já sabem: o Diliça deu cria!!! Sim, minha gente, e ele se chamará Nuno! Isso mesmo, como em Portugal. Se não gostou, problema seu. Tô muito antipática quanto a isso mesmo :-) Ah, depois que uma prima do pai sugeriu "colocar logo Nemo, que todo mundo entende", eu apertei a tecla "F" - o que, todos podem atestar, raramente acontece. Se você acha "Nemo", "Arthur", "João", "Gabriel", ou qualquer outra coisa, lindo, ponha esse nome no SEU filho e deixe os outros em paz.
Aliás, acho que cheguei a esse ponto porque, no meu caso, engravidar não foi nada fácil - ou fácil demais, dependendo do ponto de vista. Eu queria ter filhos, sim, mas daqui a uns quatro anos. Assim que soube da notícia, além do clássico "Como isso foi acontecer comigo?!", o que mais me vinha à cabeça era: "Eu não tenho NENHUMA amiga que tenha um filho!!!" Aos 27, quase 28, anos de idade, eu me senti nova demais pra ser mãe! Coisa dos nossos tempos, né? Bateu aquele desespero, tanta coisa que ainda queria fazer, tanto lugar que ainda queria ir, tanta farra por vir... E, apesar de estar grávida do meu namorado de praticamente dez anos, não estava casada, nem havia tanta certeza no ar de que isso aconteceria. Enfim, foi o maior susto que já tomei. E eu não costumo reagir bem a esse tipo de coisa. Sou pisciana, né? Drama, já ouviram falar?
Não vou detalhar aqui todos os caminhos do processo que me fez chegar onde estou. Só queria dizer que foi por isso que eu não escrevi antes, pelo que peço desculpas. (Ah, sim! E, não... O Diliça não vai sucumbir como o 2éblog... Foi mal) Agora, como todos devem perceber, está tudo bem. Mas não foi sempre assim e eu tendo a não deixar que ninguém veja quando não está.
O que posso dizer a vocês é que ter um ser humano crescendo dentro da gente é MUITO maluco. Eu conversei sobre isso com algumas pessoas. Você se sente BICHO! E a gente não leva a vida estudando e trabalhando com coisas tão... Sei lá, teóricas, lembrando que é bicho. A tendência é que o dia-a-dia e os nossos interesses nos levem a esquecer do ciclo - aquele que a gente aprende em Ciências: nascer, crescer, reproduzir e morrer. (Não que o "morrer" deva ser perto do penúltimo! Eu quero que demore MUITO!) Mas faz com que você se lembre que tem um corpo, que às vezes não deixa que a vida seja SÓ o que você planejou. Porque a gente vive com essa certeza, né? De que dirigimos nossa própria vida. Bom... Pra mim foi duro, mas está sendo extremamente terapêutico ter de me render à evidência pura e simples da falta de onipotência. A gente não é NADA, não manda em nada. E acho que poderíamos ser mais felizes se vivéssemos com isso em mente. Pode soar meio humilhante à primeira vista, mas é totalmente libertador também.
Escrevi isso e lembrei de uma coisa. A notícia me fez lembrar muito do nosso amigo que decidiu partir. Muito mesmo. Deu vontade de conversar com ele. Eu adoraria, se fosse possível. Pra contar, como estou contando pra vocês, como é mágico que o amor de duas pessoas, mesmo com tantos altos e baixos, gere uma outra vida, assim, como se nada fosse. Porque nada é mesmo, se você tem a saúde em dia e tem atividade sexual. Tanto que a gente precisa tomar providências para que não aconteça. E, como eu sabia que ele não queria ter filhos, assim como eu durante alguns anos pensei seriamente em não tê-los também, diria que, sim, o Nuno vai sofrer. Como todos. Mas que tem coisas que acontecem na vida da gente, de surpresa, sem avisar, que podem, em um primeiro momento, ser motivo de MUITA angústia, mas que depois passam a ser tão importantes que parecem dar um sentido a tanta coisa sem sentido. Aconteceu na minha, aconteceria na dele e tenho certeza de que acontecerá com o Nuno também. A Bera-chan me falou isso no dia em que contei pra ela e agora eu posso ver: uma nova vida é a maior benção, e eu acrescento que é o maior mistério, que pode existir. Se a gente for humilde o suficiente pra admitir que, individualmente, não fazemos tanta diferença assim. Mas que a vida, não só humana, é um bagulho pra lá de mágico e vale a pena.
Confessado por Bibi-chan às 15h25
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