O que diabos foi aquilo?
Imagine aquele dia, em seu passado recente ou remoto, em que você estava com seus amigos, num sábado à noite, bebendo e jogando conversa fora, e alguém abre a boca e solta aquela besteira fenomenal que faz todos os presentes terem ataques sobrenaturais de riso. Lembre-se da sensação de histeria coletiva, da falta de ar, da dor nos músculos, das lágrimas descendo pelo seu rosto, e daquele exato momento em que você pensa "agora eu tenho de parar, senão eu tenho um infarto".
Eleve à trigésima potência. Estenda o momento por duas horas. Imagine o seguinte pensamento martelando na sua cabeça: "É uma pena que a conseqüência disso é que eu não vou sobreviver." Mas não foi isso.
Também não foi a sensação de uma nova pele coberta de circuitos alienígenas de nervos que não são seus. Não foi a impressão de ter os movimentos claramente controlados por uma força externa, como uma marionete, um João Bobo. Não foi, tampouco, ver as coisas não como se elas fossem um filme, mas sim uma série de instantâneos sobrepostos. ‘Just like a rolling stone’.
Não foi nem, e como eu me espanto ao dizer isso, a incrível sensação de utilizar bem mais do que os reles 10% de inteligência que nos são corriqueiros. Não foi dissertar com brilhantismo sobre a "elegância no consumo da droga e a extinção dos gênios". E a compreensão do outro. Ele nem acabou a frase, e você já entendeu, o diálogo mais fluido da História...
Não foi isso. Foi Marcelo, com ares de guru, a me cumprimentar: "Agora sabes o que é a loucura".
Indeed.