Sai ano, entra ano...
Eu sempre acabo fazendo o famigerado balanço de fim de ano... É involuntário. Basta começar a comprar presente de Natal. Só que o deste ano está sendo especial. Se eu posso descrever o que 2005 representou na minha vida em uma palavra, ela tem de ser crescimento.
O especial da história começa com o fato de que este ano foi totalmente diferente de tudo o que eu pensava que seria no dia 1º. de janeiro. E isso foi doloroso, é claro. A gente gosta de ver nossas expectativas atendidas. Mas, sendo completamente sincera, já há alguns meses eu fico feliz por não ter sido como eu esperava. Não era pra ser o que a minha cabecinha oca de um ano atrás tinha obsessivamente planejado. A minha meta tão “bem” traçada não ia me levar a lugar nenhum. Eu precisava – mesmo – mudar. E mudar algumas coisas ao meu redor.
Sair da casa dos meus pais, por exemplo, era um desejo de muuuitos anos, uma vontade quase sem explicação. Afinal, meu relacionamento com eles não era dos piores que via por aí. Mas eu sentia aquela vontade, alguma coisa me dizia que seria melhor pra mim. Mas eu tinha medo. Todo mundo tem medo de mudar o que está confortável. Este ano, parece que me empurraram pra fora da casa dos meus pais. Não eles, coitados, que queriam que eu ficasse, mas a vida, Deus, Krishna, o Daime, sei lá! Quando dei por mim, havia uma casa esperando por mim – do jeito que eu queria, tudo como se fosse a hora certa. Talvez, em outra época, eu tivesse resistido. Mas não em 2005, o meu ano da virada Me joguei, torcendo pra não cair da cama ao acordar.
Não caí. Na verdade, descobri que não estava sonhando. Mais: descobri que mudar não é difícil como eu sempre achei. E ainda pode ser MUITO bom. Eu me aproximei dos meus pais e do meu irmão ao sair da casa deles. E não foi só deles, não... É reconfortante perceber que as coisas que você mais persegue na vida podem ficar mais perto quando você se torna humilde e aceita que não tem poder sobre elas. Eu não conseguia relaxar, não conseguia deixar de fazer cálculos e planos. E com isso perdia o que a vida tem de mais bonito: aqueles pequenos momentos lindos, despreocupados, em que simplesmente não existe futuro. Por que, afinal, o que é isso?! Que certeza a gente pode ter sobre o que quer que seja???
Dá medo. Mas foi o que eu melhor fiz por mim até hoje. Custa noites de sono e alguns reais por mês – no meu caso, pelo menos: voltei pra terapia. Mas decidi tentar tudo novo até nisso. Mudei de linha de terapia, de gênero de terapeuta, tudo! E também foi bom demais. E, no final, o esforço compensa. Eu acho. Eu fui, sem dúvida nenhuma, a maior beneficiária deste ano. Sei de gente cuja qualidade de vida melhorou muito também em conseqüência disso Mas era eu quem mais sofria por ter a cabeça tão fixada em idéias equivocadas sobre como deve ser a vida. Eu cresci para mim, no fim das contas. Até a balança e minhas calças concordam!!! HAHAHAHAHAHAHA
Objetivo para 2006: crescer para os outros. Se a primeira parte é difícil, a segunda é muito mais. É tão mais cômodo fingir que não vemos os pedintes na rua, nos contentarmos com as pequenas gentilezas que fazemos quando estamos de bom humor e até nos orgulharmos de sermos pessoas boas. Tudo bem. Isso é até adaptativo para a nossa sobrevivência. Mas acho que 2005 me fez ter um pouco de vergonha da preguiça. A vida é tão boa pra mim que eu não posso me acomodar e achar que sou boa o suficiente. Não, não sou. Eu sei que não. Conheço muito pouca gente que eu acho que seja. Não para si mesmo – o que já é alguma coisa – mas para as pessoas ao redor. É isso que eu quero tentar em 2006.
Além da parte "crescimento", 2005 foi legal. As sessões "Lost", os almoços coletivos, as viagenzinhas, festinhas aqui em casa... Vai deixar saudade. Que o ano que está chegando seja maravilhoso. Muita saúde, paz, sucesso, alegria e amor para todos nós. E que possamos melhorar, seja lá no que for que conseguirmos.
Confessado por Bibi-chan às 11h10
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