Eu sou burega
Em tratamento, mas sou. Quase incorrigível. Fiz relação com o texto anterior porque acho que é por isso que gosto de escrever. Lembram daquela menina gordinha de Carrossel? Acho que o nome dela era Laura. “É que isso é tão romântico...”. Pois é... Eu era meio assim. Tá... Eu sou meio assim. Mas estou melhorando. Muito!
Acho que o primeiro choque foi aos 15 anos. Na minha sala no Sigma (saudades!!!), fizeram a famosa votação dos “Mais mais”. Lembro que uns amigos mais velhos, Leo e Marcelo, já haviam me contado que isso rolava no Maristão. Todo mundo curiosíssimo pra saber em qual categoria estava sendo votado e tal... A minha melhor amiga na época foi perguntar pro meu grande amigo, hoje jornalista e desde lá SUPER por dentro de tudo, em quais categorias estávamos incluídas. Veio a resposta. Ela estava entre os sorrisos mais bonitos. E eu... Entre as mais bregas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Aquilo foi um choque terrível. Eu não conseguia acreditar, não admitia. Por que brega?! Feia, eu até aceitaria (cresci ouvindo que era...). Mas, brega?! Fiquei arrasada. Nunca tinham-me dito que eu era brega. Passada a negação, fui pensar nas razões que podiam levar a essa indicação. E nunca mais parei de pensar! HAHAHAHAHA. Acho que tinha fundamento.
Meus pais – que são o máximo, não me entendam mal – saíram do interiorzão de Minas, filhos de fazendeiros. Não daqueles ricaços, daqueles que batalham pela subsistência mesmo. Meus avós queridos... Todos já estão lá no céu. Será que vou me encontrar com eles? Bom, mas com esse histórico, de muita superação e sucesso, mas sem muita experiência no que o pessoal do Sex and The City chama “hip”, meus pais não me passaram muita idéia do que é estilo. Ou melhor, eles têm um estilo fofo, mas infelizmente muito identificado com o que os de pedigree consideram brega.
Isso só ficou claro pra mim depois desse episódio na escola. Durante um tempo, eu me revoltei. Desejava ter nascido em outra família, daquelas com fotos dos tataravós em viagens pro exterior e tal... Bem depois, quando já estava na UnB, comecei a perceber que era muito mais legal ser filha e neta de quem eu era. E comecei a achar bacana, também, ter esse traço marcante: o burega inocente e sincero. Se assim não fosse, não me lembraria tão nitidamente das músicas “românticas” dos anos 80, não seria apegada às pessoas como sou, não seria emocional. E eu gosto de ser assim, apesar de tudo. Aliás, tem uma musiquinha da Jewel, que meu lado burega adora, que podia ter sido escrita por mim: “Please, be careful with me. I´m sensitive and I´d like to stay that way”.
PS: Nas minhas férias, assisti "Vinicius". Gostei. "É melhor ser alegre que ser triste. A alegria é a melhor coisa que existe". Saravá!
Confessado por Bibi-chan às 16h15
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