Hoje tive um acesso de riso de manhã, um refresco dessa chatice que é um país obcecado pelo politicamente correto e por umas coisas do tipo isso aqui, que recebi da minha academia de ginástica! Sério, vê se tem condição uma coisa dessas:
Voltando à minha história boa de hoje - eu gosto de rádio. Sempre ouvi, desde criança, e até hoje gosto da sensação de você entrar no carro e estar tocando uma música que você adora, sem ter sido você quem colocou pra tocar. Dá meio que a impressão de que era pra você escutar a tal da música e eu gosto dessas sensações meio místicas.
Enfim, eu escuto um programinha de rádio de manhã que se chama "Elliot in the Morning" na DC 101, de rock. É um programa de gente falando, sobre diversas coisas, tem entrevista com banda, tem de tudo. Hoje, eu vi que o locutor principal tava atendendo ligações de telefone com alguma saudação que eu não tava entendendo de jeito nenhum. Eu ouvia algo assim como "ridaruí", "ridaruí" e aí a pessoa respondia: "Hello".
De todo modo, era tipo um concurso, valendo ingresso pra show, com perguntas sobre a vida do David Carradine - o Bill, que morreu daquele jeito meio embaraçoso, como vocês estão sabendo. E aí as perguntas iam evoluindo, tipo até chegar ao Michael Hutchence (porque o pobre morreu do mesmo jeito), INXS e tal. Daí.... Finalmente, deu a hora de o programa acabar, o cara fez a última pergunta até alguém acertar e aí explicou:
- "Como vocês já sabem, aqui na DC 101 é assim. Quando morre a celebridade, você estuda direitinho e tem a chance de ganhar seus ingressos noHE DIED, YOU WIN" NÃO É BOM DEMAIS??????!!!!!!
Deve ser porque eu já estou cansada desse povo meio bundão, mas eu me diverti demais :) Ah, sim. Bruno, eu moro em DC mesmo, num bairro que chama Palisades, entre a Foxhall Road e a MacArthur Boulevard. Lembra onde é?
Olá!!!! Acharam que o blog passaria a ser de uma autora só, né?! HUAHUAHUAHAUHAUAHUAHUA VOLTEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Antes de mais nada, quero fazer uma solicitação à outra dona do blog. Por que não temos um novo layout, algo assim pra celebrar a nova conexão geopolítica que aqui se estabelece??? EUA e Japão mantêm uma história interessante, envolvendo guerra, admiração, que há pouco se traduziu no Cherry Blossom Festival aqui em DC. Reza a lenda que as primeiras cerejeiras foram presente dos japoneses aos EUA em 1910. Só sei que a florada das cerejeiras é um negócio lindo de dar nó na garganta. É a florada do ipê branco em grandíssima escala, por toda a cidade, mobilizando toda a população. E, claro, me fez sentir pertinho da Bera-chan... Fotos no Flickr: http://www.flickr.com/photos/11214948@N04/
Nem sei ao certo por onde começar. A vida muda tanto em tão pouco tempo... Dá uma sensação vívida de recomeço mesmo - de que dá pra fazer tudo de novo (e certo) desta vez. Porque você é transplantado, essa é que é a verdade. Ninguém que você conhecia antes (salvo marido e filho, no meu caso) está por perto. Claro, tem os colegas que você já conhecia. Mas nunca é a mesma coisa de quando você está só com eles de conhecidos. Os amigos passam a ser a sua família.
Comigo, estava tudo indo muito bem. Eu estou_bastante_ contente com o trabalho, por enquanto. Descolei uma casinha simpática pra morar (fotos no Flickr), um carritcho considerado simples aqui, mas que no Brasil passa por bacana, não pago imposto, o Nuno está com o quartinho todo bonito (coisa que no Brasil custaria muito mais), muita coisa pra fazer, muita coisa pra arrumar, conhecendo gente o tempo todo... Mas, como previu a outra autora, em sábias palavras, depois de um tempo, quando tudo está mais ou menos no lugar - um novo lugar - você pára e pensa: "É, é isso mesmo". Pra mim, aconteceu ontem. E eu cheguei há pouco mais de dois meses.
Um amigo, ex-colega de divisão, me contou que vai pegar um apê no prédio em frente ao que eu morava. Coisa legal e tudo mais. Daí, eu comecei a lembrar do meu ap., da quadra, de como era perto da casa dos meus pais, de como era fácil e natural andar em Brasília, de como aquilo é que é minha casa. E que vai demorar pra eu voltar pra lá. Me deu saudade, de verdade, doída mesmo, pela primeira vez. Passei o resto do dia pensando no Brasil, em Brasília, na minha família, nos meus amigos. Em como a vida lá vai seguindo sem mim. É meio que uma sensação de morte sem ter morrido, eu achei. Tipo, tudo tá lá do mesmo jeito, funcionando, indo em frente, só que sem a gente. Extrônho...
Bueno, hoje tudo meio que voltou ao "normal", até porque, finalmente!, fez um dia lindo. Tudo fica mais bonito com sol, né? Eu cheguei à conclusão de que gostava de dia nublado no Brasil só porque o sol é meio que opressor lá! A gente não tem variação de clima, não dá nem pra apreciar de verdade quando faz um dia de sol, quentinho. Morar em um lugar que tem de tudo, em termos de clima, é muito diferente. Te faz ter vontade de ter calor - e tenho certeza de que dá vontade de voltar a ter um pouco de frio também. Enfim... Há que se curtir o que se apresenta de novo, pra não morrer de saudade da casa da gente. Eu, pelo menos, me sinto brasileira até o último fio de cabelo. Pixaim
"A maldição do Kanfunsho" ou a "Irmandade Secreta dos Mascarados"
Aqui em Tóquio tá na época do kafunsho.
Parece que quando resolveram despoluir as grandes cidades, lá pelos anos 1970/80, plantaram um monte de cedros e ciprestes por todo lugar. O problema é que as 'árveres' soltam um monte de pólen no começo da primavera, que dá uma alergia louca em todo mundo, mais cedo ou mais tarde (tem gente que quando chega em Tóquio não sente nada, mas 2 ou 3 anos depois desenvolve a parada). Seus olhos e garganta coçam, seu nariz escorre o tempo todo, rinite, um inferno.
O massa é ver as propagandas dos produtos contra o kafuncho. Tem de tudo! Desde óculos especiais e colírios até sprays, xaropes, pomadas, chás, adesivos, pílulas, o diabos.
Já faz umas 3 semanas que meu nariz e olhos têm coçado um pouco, principalmente depois de andar de bicicleta, então me recomendaram o uso da bendita máscara.
No começo você se acha ridícula, mas depois, além de se acostumar, você sente mesmo a diferença. Além disso, há um maravilhoso "plus a mais": você passa a fazer parte da irmandade secreta dos mascarados!
Aqui no Japão é muito difícil as pessoas te olharem nos olhos, em qualquer situação. Mesmo conversando! É considerado intrusivo e talz. No começo é bizarro, mas depois de um tempo você se acostuma a não olhar muito e nem ser olhado (só vale de esguelha!).
Entretanto, imaginem a minha surpresa quando, logo depois de começar a usar a máscara (e ainda me sentindo bem idiota nela), notei que os demais mascarados não só procuravam, como mantinham, por alguns segundos, o meu olhar!!! Nas ruas, no metrô, talvez por uma falsa sensação de se estar anônimo, talvez por uma solidariedade anti-kafuncho, mas os japinhas agora me lançavam um confortante olhar solidário !!!
Eu perguntei pro pessoal do trabalho se há alguma sociedade secreta dos mascarados, mas ninguém nunca tinha notado que isso acontece. Até cogitei que me olhassem porque eu sou estrangeira, mas geralmente essa categoria de olhar é um misto de curiosidade e medo, enquanto o dos meus pares alérgicos é mais um olhar assim calmo e 'reassuring' que não sei explicar. Gosto de achar que, na véspera da bela estação das cerejeiras, estejam pensando algo assim:
O show do Radiohead foi simplesmente espetacular. Os caras são perfeitos no palco, a produção do negócio é impecável e o palco tinha a iluminação mais legal que eu já vi ao vivo ou em gravações.
E era o Radiohead. O RADIOHEAD. Porra, quem era jovem e esquisito na década de 90 sabe do que eu estou falando (by the way, Bruno, eu tive que comprar o ingresso no Yahoo! Auction, custou quase 500 reais!!!!!).
Eu estava gostando muito do show até os caras tocarem Paranoid Android - daí eu enlouqueci completamente!!!! Porque essa é uma das 80 músicas pelas quais eu já fui obcecada um dia.
E sim, eu contei. :)
O motivo pelo qual eu fiz uma lista das músicas às quais eu obsessivamente escutei durante um certo período de tempo (que pode variar de 1 até 3 meses, ou mais) não foi simplesmente pela nostalgia da coisa, mas pra ver, afinal, se existe alguma relação entre elas. Porque, vejam bem, essas não são músicas das quais eu simplesmente gosto - são músicas que me assombraram durante muito tempo e as quais, até hoje, conseguem me afetar emocionalmente. Daí bateu essa curiosidade, cujo resultado eu compartilho com vocês.
Top 10, apesar de que vocês provavelmente não as conheçam; quando tem mais de uma do mesmo artista eu também listo:
10. Enya - The Sun in the Stream (sei que vão chover as críticas, mas aos 11 anos eu gostava tanto dessa música que tinha certeza de que era o que tocaria no meu casamento)
9. The Smiths - There is a Light That Never Goes Out
8. Nine Inch Nails - The Perfect Drug
7. Joanna Newson - Emily, Monkey and Bear.
6. Sonic Youth - Shadow of a Doubt, Diamond Sea
5. Bjork - Pagan Poetry, Venus as a Boy
4. The Velvet Underground - Heroin, Venus in Furs
3. Nirvana - Drain You, Verse Chorus Verse
2. R.E.M. - I Don't Sleep I Dream, E-bow the Letter
1. Dead Can Dance - The Carnival is Over, Rakim, Crescent, The Host of Seraphim, The Summoning of the Muse, Don't Fade Away, The Wind that Shakes the Barley
Fazer essa listinha aí foi complicado, porque tem várias músicas que hoje eu nem ouço muito (tipo Nirvana), mas que na época foram revolucionárias. A minha última obsessão o Rodrigo até ouviu (e gostou!): Andrew Bird, Action Adventure, que eu ouvi 20 vezes seguidas numa viagem de shinkansen. Mas eu não sei como eu vou lembrar dela daqui a alguns anos, então nem entrou na lista das 80.
Minhas conclusões não foram muito científicas: tem artistas dos quais eu gosto _muito_ e que tiveram só uma música na lista (tipo Beatles e Pink Floyd), enquanto outros (como Tom Zé, Beck, Chemical Brothers, etc.) nenhuma. Em compensação, o Dead Can Dance tem esse número ridículo e olhem que eu me controlei bastante para não acrescentar mais nenhuma. O pouco que consegui deduzir foi isso:
1) Quase não há: músicas dançantes, animadas, felizes, divertidas ou engraçadas;
2) Só 3 músicas (incluindo a da Enya!! huhauahua) são instrumentais: em 80% das outras 77, os vocais são muito marcantes (muito belos, poderosos ou estranhos);
3) Apesar disso, eu não estou nem aí para letras (grande parte delas eu não sei decorada ou mesmo de que se trata);
4) O importante é o "clima" da música: na maioria dos casos são músicas lentas, mas não ao ponto de serem baladas; em muuuitos casos esse 'clima' é meio soturno, misterioso e/ou sexy e, sei lá, como se fosse de outro mundo.
5) Quase todas essas músicas conseguem me "transportar" para outro lugar a ponto de eu esquecer onde estou e o que estou fazendo.
Faz sentido? Eu sou o tipo de pessoa que parece querer estar em outro lugar, mais sexy, misterioso, soturno e estranho? Ou melhor: eu sou uma pessoa que odeia dançar, animação, felicidade, diversão ou humor??? Hahahahaha!!!!
Talvez simplesmente as pessoas tenham tendência a se apaixonar por canções que elas acham belas, como é o caso de 90% da minha lista. O que mudaria entre uma pessoa e outra seria o conceito de beleza? Ou quão importante ela é para cada um? o___O;;;
Digam aí se rola esse lance da obsessão musical com vocês. E com quais músicas!!!! Humor me please. :)
Obs.: se alguém ficar curioso, geralmente dá pra ouvir trechos dessas músicas no All Music ou no Seu Tubo.
Obs.2: tem um livro do Oliver Sacks chamado "Musicophilia" (traduzido como "Alucinações Musicais") que eu finalmente acabei de ler e é bom demais !!! Pra quem tem essa nóia de música vale muuuito a leitura!!!! Eu me senti menos esquisita por ocupar tanto tempo da minha vida com música...
Eu relutei, enrolei, disfarcei, mas não deu - essa semana tive que começar a organizar uma agenda. Essa coisa simples, a qual muita gente mantém desde os 15 anos, eu só comecei semana passada.
É muito engraçado virar chefe de uma hora pra outra (ainda mais com o chefe que eu tinha antes, que tratava todo mundo como imbecil) - você se vê cheia de reuniões, eventos, entrevistas, consultas, inaugurações, viagens e e-mails e vê que não dá mais pra brincar no miniclip.com durante o expediente. É ruim (eu gostava do Sushi-Go-Round), mas é bom (o tempo passa rápido), mas é ruim (é muuuito difícil tirar a mente do trabalho).
O soja de ser chefe, acho, é que o tempo todo você tem que tentar prever de onde vai vir a merda, e quando. Tem 1000 coisas para serem feitas, você só pode fazer 100 - e a prioridade tem que levar em consideração prazos, as vontades dos seus chefes, a disponibilidade das pessoas e o inesperado.
Aqui tem o "plus a menos" do choque cultural. Uma coisa é choque cultural quando você tá de férias e leva um grito por entrar de sapato no tatami da velhinha da esquina, outra é quando, por causa da sua reação "exótica", os japas ameaçam cancelar a participação no projeto de 150 mil dólares que está sendo organizado desde 2007 (isso aconteceu).
E tem os subordinados, também. Ainda bem que o destino não quis pegar assim _tão_ pesado comigo e me deu umas boas e legais. Eu fico obcecando é em não ser babaca (chefe pode ser exigente e pode ser difícil, mas não pode ser babaca - eu tento não ser nada disso, mas Deus sabe se estou conseguindo).
É bem assustador, é bem estressante, de uma forma muito diferente. Sei que para alguns dos 'leitores' isso não é novidade nenhuma, mas pra mim é inédito, "primeira vez na televisão" mesmo, e eu queria compartilhar! :))))
Acho que esse momento é muito, muito importante. Chego mesmo a acreditar que foi aí, nesse momento de crise (responsabilidades+cobranças+poder) que, na vida de muitos dos nossos colegas, as coisas começaram a desandar. Ninguém te ensina a ser chefe, muito menos um _bom_ chefe. E os exemplos, perdoem o eufemismo, não são tão numerosos assim.
O jeito é improvisar, e eu aqui estou tentando, da melhor forma possível. Mas se alguém tiver um guia, um manual, um "bossing aroud for dummies" e quiser me mandar, eu também não vou reclamar!!! :DDDD
Não tem nada, nada, nada, nada mais gostoso do que comemorar o aniversário de um filho. E olha que eu sempre adorei comemorar o meu. Mas não tem comparação. Afinal, foi a gente quem "fabricou" :-) O aniversário de um filho é uma celebração de um milagre do qual a gente participou, ainda que tangencialmente. (Sim, porque a vida, como eu disse no post em que eu contava que estava grávida, se processa por si, independentemente da nossa vontade). Mas, pelo menos, eu vi e acompanhei tudinho. É um misto de orgulho, estupefação, gratidão, babação... É uma das melhores sensações que já tive. Recomendo vivamente :-)
PS: O título do post é por causa da música do Stevie Wonder mesmo, porque descobri que ele escreveu pra filhinha dele. E porque é fofa.
Hoje completo 2 meses de Tóquio! Ehhh, parabéns para mim!!!!! Está sendo uma experiência mutcho loca, todo dia uma sensação diferente da cidade, uma impressão diferente das pessoas... e muitas coisas rolando. Mas vamos por tópicos senão eu me enrolo (vocês já devem ter percebido isso):
1) Festa no Apê
Desde que as cortinas chegaram, eu finalmente comecei a me acostumar com o apêzinho novo. Ele é mesmo uma tetéia, perfeito. Um dos problemas, entretanto, é o bairro. Quer dizer, um aspecto do bairro: não tem nada de útil!!!!! Só tem boutique e salão de beleza. Supermercado, padaria, lavanderia que é bom, neca. Pra entender melhor, só checando esse mapa. Minha casa fica entre os mapas de Harajuku e Shibuya (a Embaixada fica em Gaienmae). É até divertido passar pela bagunça todo dia, mas às vezes eu só queria poder comprar um pãozinho decente perto de casa.
Uma coisa divertida da casa é a privada high-tech. Claro que eu já conhecia os avanços dos vasos japoneses, mas, como o apê é novo, aparentemente instalaram um último modelo. Ele tem um painel de controle wireless com umas 12 funções inacreditáveis (até massagem, hauhauhu!) e, o mais legal, dá descarga sozinho quando você levanta!!!! Nem comentem que só falta falar, porque sei que tem uns que falam, tocam música e fazem barulho para 'disfarçar' e abrem a tampa sozinhos quando você chega perto. :)))
Devo dizer que eu estava um pouco estressada com a casa e essa falta de coisas úteis nas cercanias até que um anjo filipino apareceu na minha vida: ela se chama Maya e é a diarista mais despachada que eu já vi até hoje!!!! Me lembro que no primeiro dia ela chegou de motocicleta e já foi se oferecendo pra fazer compras dos produtos de limpeza, de água, mandar as roupas para a lavanderia, levar o lixo embora (aqui tem um sistema nazi de coleta de lixo), enfim, já foi resolvendo tudo sozinha!!! Aqui se paga caro por tudo, mas é impossível reclamar dos serviços.
2) Benri desu!
Um dos primeiros adjetivos que as professoras de japonês ensinam é 'conveniente' (benri). Estranho, né? Mas aqui no Japão faz sentido. Primeiramente, os caras são obcecados por lojas de conveniência e maquininhas de venda automática (não só de bebidas, de tudo! Vejam isso aqui se não acreditam).
Mas a coisa vai além disso. Os japoneses não conseguem conceber um mundo onde não haja uma solução perfeitamente adequada para os seus problemas. O resultado são bilhões de produtos surrealmente concebidos para as mais diversas funções (tipo as [privadas, ou o obrigatório embalador/desembalador automático de guarda-chuva molhado), além de embalagens impecavelmente desenhadas para abrir com facilidade (se não for, é estrangeira).
Um lado bom disso é que há um culto segmentado às coisas práticas e sem-frescura que eu acho maravilhoso!!!! Não é à toa que minhas lojas favoritas aqui são a Muji e a +-0.
3) Um lugar pra chamar Dirceu
Sabe quando se encontra aquele lugar que faz você se sentir maravilhosamente bem só de estar lá? Eu encontrei um desses aqui em Tóquio. É um lugar tão vibrante, tão surreal, tão libertador, que não tem como não se sentir bem. Eu estive lá nos últimos domingos todos, e é sempre maravilhoso - só neste último é que não pude ir (tava chovendo horrores) e confesso que fiquei semi-depressiva! Graças a Deus, é bem perto de casa.
Antes do Yoyogi Park tem Harajuku e os jovens vestidos de tudo quanto é possível e imaginável. No caminho para o Yoyogi Park tem as bandas de rua, dezenas delas, e à noite rolam mini-festinhas nas calçadas, de todos os ritmos (reggae, hip-hop, techno..). Na entrada do Yoyogi Park tem a galera rockabilly, com seus carros e topetes anti-gravitacionais. E dentro do Yoyogi Park tem piqueniques, alunos de arte, alunos de sapateado, grupos de canto, grupos de dança, de yoga, capoeira, mini-raves no meio das árvores, compositores solitários, e um monte de gente relaxando, cantando, gritando, bebendo e se divertindo como se o mundo fosse acabar. Num país como esse, em que dá pra sentir a pressão, quase física, na vida das pessoas, um lugar desses é um oásis, algo realmente emocionante.
Aqui tem algumas fotos de lá, mas eu prometo que, assim que a estação das chuvas acabar, postarei as minhas próprias!
viajei de novo. morri de calor e de saudade do meu filhote, mas foi bom. por diversas razões. fui acompanhada dessa vez, em companhia de luxo e removida. foi meio que nossa despedida. a única coisa realmente chata foi passar três dias com 40 graus na cabeça. e não foi de febre, não. infelizmente, minhas idas à cidade-maçã têm sido de extremos em termos de clima: ou eu congelo, ou eu derreto. e as duas são péssimas opções. especialmente quando a ocasião pede roupinha de trabalho... entre mortos e feridos (a martchela teve de ficar 4 horas debaixo de sol, em uma fila e eu tive de andar 20 quadras a pé com a candidata que eu estava acompanhando e me pediu), todos nos salvamos.
na última noite, fui com meu primo e sua namorada brasileira ultra legal a um lugar que me levou pra junto da bera-chan. é um restaurante chamado "ippudo", japa até o último fio de cabelo arrepiado dos garçons. como bem observou meu primo, é um dos únicos japas que não têm um monte de mexicano na cozinha. TODO MUNDO lá era japa, inclusive os clientes. menos a gente. a decoração era FANTÁSTICA. na parede, os nomes (em ideogramas, claro) dos funcionários. parecia citação literária, mas eu perguntei e era isso. se quiserem e tiverem tempo, procurem as reviews do restô no google. e a nossa garçonete me ensinou que o nome do restaurante significa "new wave" e que "samishii" é mais ou menos "I miss you". tentei telepatia de novo, mas já imagino que não tenha rolado, porque meus poderes parapsíquicos são realmente falhos. só achei muito legal chegar e encontrar as fotinhas dos seus cantinhos, bera-chan. aliás, "cantinhos" é apenas metafórico, né? enjoy.
rolou encontro de 4 dos 39 de 2003 em buenos aires. (essas coisas são legais, né? fala sério). mais participações especiais de dois dos 29 (são vinte nove mesmo? não me lembro) de 2004 e de um dos não-sei-quantos de 2002 (foi mal, Paulino, mas não sei quantos vocês são), pode-se dizer que foi um bom encontrinho.
bsas é massa demais. eu tinha ido uma vez, por três dias, dois anos atrás e agora sei que praticamente não tinha valido. mesmo agora, conheço pouco, bem pouco. e fiquei com uma vontade louca de voltar, de preferência em circunstâncias melhores e que permitam mais passeio.
bera-chan, tentei comunicação telepática com você na sexta (sábado, pra você) às 1h15 (da madrugada pra gente, da tarde pra você). não sei se funcionou :-) aliás, com tanto malbec na corrente sangüínea acumulado desde a quarta-feira, não consigo mesmo nem me lembrar qual a mensagem que queria te passar, mas lembro que queria comentar que lá a vista fica mais feliz, não fica?! huahuahuahuahua. eu achei. não muito, mas bem mais que aqui.
rolou balada i-na-cre-di-tá-vel, ao som de zouk, ou seja lá como se chama aquilo que o 1 de 2002 chamou a gente pra ir dançar. mas o surreal é que a promessa que tivemos foi que ia rolar "80, 90 e eletrônico", que, aí sim, seria total a minha praia. como essa linha acabou virando música de ritmo-caribenho-da-moda-que-eu-não-sei-o-nome é que é intrigante!!! pense, bera-chan, no desespero que foi batendo quando eu esperava ouvir sei lá, the cure, u2, coisas assim e o mais legal que eu consegui foi shakira e madonna em remixagem bizarra. huahuahuahuahuahua.
total viagem daquelas que fazem a gente pensar na vida. pegar avião gripada, um tanto decepcionada, chegar e ir direto pra reunião, tema com que a gente gosta de trabalhar, saudade de filho, dúvida, matar saudade de amigos queridos, ouvir o cd da fernanda takai inteiro (finalmente), rever as filhas dos amigos queridos, rever o cachorro do amigo querido, malbec, muito malbec, choro, risada, melancolia + lugar surrealmente a minha cara + comida surrealmente boa + vinho surrealmente bom = jantar mágico, melhorar da gripe, piorar da dúvida, saudade de quem já foi, de quem vai, de quem talvez vá e do que nunca vai ser, acabar de trabalhar, começar a pensar demais na vida enquanto não se tem nada pra fazer, conhecer novos amigos, espera de uma hora e meia no sucre (bom, mas talvez caro para o que é), viajar com fome, sem ter dormido e ainda ter assento marcado do lado de colega de faculdade que não se vê há anos (ou seja, vai rolar conversa e nada de dormir)... pano de fundo = cidade, frio, vento, solidão. essas coisas tristes/lindas que na vidinha cotidiana quase não dá tempo de viver e que acontecem assim, tão intensamente que dá susto. me lembrou muito o final da minha adolescência. de alguma forma, é bom sentir alguma coisa, mesmo que não seja tão bom, pra se sentir vivo. e eu não costumava gostar de the verve, não, especialmente não dessa música - que foi lançada justamente no final da minha adolescência. mas, agora, parece que poderia ter sido eu quem escreveu a letra. ponto pro Ashcroft, que letra boa é isso aí.
obrigada pela hospitalidade aos locais, pela atenção ao meu guia pessoal e pelas dicas do rudrigo. disclaimer: eu sou de peixes (não rola de eu ser de aquário, com ou sem precessão), chegada num drama. não liguem :-)